Ameaças à Cibersegurança em 2026

Autoria: Samuel Cruz
Departamento de Sistemas de Informação

Se há duas palavras que estão a redefinir a cibersegurança em 2026, elas são inteligência artificial e escala massiva — e não, não é só hype tecnológico. O último Cyber Security Report 2026 da Check Point Software mostra que as organizações enfrentaram em média quase 2 000 ataques por semana em 2025, um aumento de cerca de 70 % desde 2023. Os atacantes estão a combinar automação, IA e engenharia social de forma sofisticada para ultrapassar defesas tradicionais. 

O panorama já não é aquele em que um hacker precisa de passar horas numa linha de comando a tentar encontrar vulnerabilidades. Atualmente os ataques são concebidos para correrem sozinhos, de forma rápida e em múltiplos vetores. Muitas vezes antes sequer de termos percebido que estamos vulneráveis.

Nesta nova era, a IA já não é exclusiva de quem se defende dos ataques. Está literalmente integrada nas ferramentas dos criminosos:

  • Reconhecimento automatizado que vasculha a Internet em busca de pontos fracos a 36 000 scans por segundo; 
  • Phishing e engenharia social com mensagens quase indistinguíveis de comunicações legítimas; 
  • Deepfakes e identidades sintéticas que conseguem enganar detetores tradicionais; 

Como ponto curioso (e preocupante), existem ferramentas de IA sem filtros éticos disponíveis em mercados clandestinos com subscrições mensais, tornando possível a qualquer grupo lançar campanhas de alto impacto sem necessidade de grandes equipas técnicas. 

Os dados roubados são agora moeda corrente nos bastidores da Internet. A Fortinet relata um aumento de mais de 40 % no volume de credenciais roubadas e mais de 97 mil milhões de tentativas de exploração registadas globalmente, um número que parece mais o resultado de um algarismo derivado de IA do que simples ataques manuais. Cada conjunto de login e password roubado torna-se combustível para fraudes, credential stuffing, e movimentações laterais dentro de redes corporativas.

As organizações adoram a cloud, especialmente modelos híbridos e multi-cloud, mas essa adoção rápida trouxe uma disparidade: ferramentas espalhadas, visibilidade fragmentada e pessoal escasso para gerir tudo isto. Um relatório de segurança em da Creative News revela que 66 % das empresas não confiam na sua capacidade de detetar e responder a ameaças em tempo real nesse ambiente. 

O que isto tudo significa para nós?

Em 2026, a cibersegurança deixou de ser apenas uma função de TI para se tornar uma questão empresarial estratégica. Não se trata apenas de instalar outra firewall, trata-se de pensar em:

  • Zero Trust: assumir que ninguém é automaticamente confiável dentro ou fora da rede;
  • Visibilidade contínua: compreender quem está a aceder a quê, quando e como;
  • Formação aos colaboradores: porque o elo mais fraco continua a ser o utilizador;
  • IA defensiva: utilizar automação e análise em tempo real para antecipar e neutralizar ataques.

À medida que avançamos no ano, a melhor defesa pode não ser apenas tecnologia melhor, mas cultura organizacional mais consciente sobre o que significa estar seguro num mundo em que as linhas entre ataque e defesa estão cada vez mais a ser escritas por algoritmos.