A JMJ Lisboa 2023, e o voluntariado

Foi este Verão, de 1 a 6 de Agosto de 2023, que decorreu a 16º edição deste encontro mundial, em Lisboa.

Foi uma semana de encontro, festa, celebrações religiosas, e muito mais, onde jovens de todas as idades, estiveram mais próximos ou mais distantes da Igreja.

Para que a JMJ Lisboa 2023 pudesse acontecer, foi preciso a colaboração de muitos milhares de voluntários. Os voluntários foram aqueles que disponibilizam o seu tempo e conhecimentos durante a Jornada, ao serviço de todos os que nos visitaram nesses dias.

Existiram dois tipos de voluntários, com missões e locais distintos: 

  • Os Voluntários Paroquiais das Dioceses de Lisboa, Santarém e Setúbal, que prestaram serviço nas paróquias que acolheram peregrinos, nomeadamente na organização dos alojamentos, no atendimento de peregrinos, encontros de catequese, entre outros. 
  • Os Voluntários Centrais que prestaram serviço principalmente nos locais dos eventos e no espaço público. Colaboraram nas tarefas e atividades relacionadas com os eventos centrais da JMJ, como os encontros com o Papa, o Festival da Juventude, os eventos de abertura, a Cidade da Alegria, pontos de informação na cidade, entre outros. 

Estes voluntários, ou Minions como chegaram a ser apelidados pois tinham sempre T-shirts amarelas, estiveram por todo o lado, sempre a ajudar. Foram mais de 22 mil pessoas e alguns deles, são colaboradores do Grupo Wondercom.

Deixamos aqui o testemunho de dois deles que nos deixam a sua experiência do que foi ser voluntário JMJ 2023:

Desde Janeiro de 2023 que tinha ingressado o COP (Comité Organizador Paroquial) de Mafra como Chefe de Equipa.
Sendo escuteira e estando envolvida na Paróquia, fui logo “recrutada” para integrar uma mega equipa de Logística que tinha várias componentes (Segurança, Mobilidade, Saúde, Alimentação e Limpezas).
Assim ao longo dos 6 meses que antecederam a jornada, adaptámos escolas, gimnodesportivos, coletividades e outros espaços comuns de forma a receber mais de 2.000 italianos que nos chegariam em 35 autocarros.
Na semana mesmo das Jornadas, fiz de tudo um pouco: ajudei a parquear autocarros, fiz rondas noturnas nos espaços dos peregrinos, orientei grupos nos percursos entre os espaços, e dei formação na área da Emergência.
Essencialmente, um voluntário coloca-se ao serviço e disponibiliza-se para fazer qualquer tarefa, com a maior alegria possível e foi isso mesmo que me aconteceu.
Desta experiência levo boas amizades que fiz com outras pessoas da paróquia que não conhecia tão bem e de quem me aproximei nesta posição de serviço e acolhimento. Todos quisemos receber bem e deixar uma marca nos peregrinos que por aqui passaram.
Por fim deixo aqui o que foi a essência da JMJ 2023 para mim:

Um acontecimento onde se celebrou a alegria, o convívio e a multiculturalidade.
Um encontro dos jovens com o Papa sim, mas um encontro connosco próprios.
Foi de facto um privilégio !


Foi no começo de 2023 que recebi um convite mágico e absolutamente irrecusável. Infelizmente, não foi a carta de Hogwarts, mas sim um convite para ser chefe de equipa de voluntários da Jornada Mundial da Juventude. Há muito que era um membro participativo na comunidade em que estou inserido, na paróquia de Monte Abraão, e fez assim sentido, para mim, contribuir ativamente para este evento de tão grande importância. Afinal de contas, nunca fiz Erasmus e uma viagem ao Parque Tejo sai bastante mais em conta que um bilhete para Varsóvia ou Budapeste.

Inicialmente, senti um nervoso típico de quem se atira a algo novo, por não ter qualquer termo de comparação com aquilo em que me estava a meter. Remetia à minha memória, mas não me ocorria qualquer referência que me preparasse para o que teria de fazer, contudo, com o passar do tempo, fui conhecendo as minhas tarefas e ganhando o hábito das exigências do meu cargo. Um pouco como aprender a andar, mas neste caso, a jornada tem um destino bastante bem definido, a 5 horas a pé debaixo do Sol de quarenta graus.

Durante todo o período de preparativos, foram organizadas formações e momentos de preparação, proporcionados grandemente pelo portal dos voluntários da Jornada Mundial da Juventude, o que me levou a pensar, como é se faziam estas coisas antes da invenção da rede móvel? Terá o Papa a aplicação? De qualquer forma, foi através deste planeamento que foi possível estabelecer procedimentos e antecipar situações de forma que a semana corresse da melhor forma possível. Assim, reunimos condições que proporcionaram a melhor experiência aos cerca de 2500 peregrinos que viemos a receber.

Ao todo, somávamos 100 pessoas, entre voluntários e auxiliares paroquiais. Entre nós, dedicámo-nos durante a semana da Jornada a orientar os peregrinos, que eram maioritariamente francófonos tanto de países africanos, como França e Canadá, no seu caminho a encontrar o Papa (especial agradecimento ao Google Tradutor, mais uma vez, como faziam isto antes da rede móvel?).

No meu caso, fiquei responsável pela organização das catequeses e missas (todas em francês), que tiveram lugar na paróquia, nas quais participaram cerca de cinco bispos por catequese / missa (novo máximo de bispos em Monte Abraão!). Para além disso, fiz também rondas noturnas, numa das escolas onde os peregrinos dormiam, dando a volta ao recinto de forma a averiguar se estava sempre tudo em ordem. Spoiler: não estava sempre tudo em ordem.

Este foi um caminho que fizemos juntos, que nos levou na direção da fé, muito materializada pelas palavras do papa. Foi um caminho que me ajudou a trabalhar algumas limitações com as quais vivia, como por exemplo, conseguir falar com pessoas que não conheço num idioma no qual não me sinto confortável (reitero os agradecimentos ao Google Tradutor). Recordo-me agora que tinha nas notas do telemóvel as frases que tinha de dizer, por exemplo quando servia pequenos-almoços e estava encarregue de distribuir os peregrinos pelas diferentes filas. Mas, maioritariamente, dizia “bonjour” todo o dia e sorria amavelmente.

A maior lição que levei desta jornada foi a de que, enquanto seres humanos, temos muito mais que nos torna iguais do que aquilo que nos difere. Através da fé, temos a capacidade de participar na vida de forma semelhante, ainda que vivamos a religião de uma forma particular. Foi uma semana longa e um caminho deveras cansativo, mas o destino a que chegámos acolheu-nos num abraço quente que levaremos para o resto das nossas vidas.